Pandemia evidencia problemas no transporte público em SP
Atualizado: 26 de mai. de 2021
Soluções de mobilidade devem incluir projetos de moradia e ampliação de faixas exclusivas para ônibus

Transporte coletivo expõe população negra, pobre e periférica à Covid-19 – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Reprodução
Por Raquel Barreto
A pandemia do novo coronavírus impulsionou as discussões sobre mobilidade urbana na capital e ressaltou problemas antigos, como o tempo de deslocamento no transporte público. Segundo a pesquisa “Viver em São Paulo: Mobilidade Urbana”, realizada pela Rede Nossa São Paulo divulgada no ano passado, moradores das zonas Norte e Sul são os que gastam mais horas em seu trajeto de ida e volta diariamente.
Cerca de 26% dos entrevistados levaram mais de 2 horas para cumprir seus trajetos diários em 2020, com uma diferença no tempo médio de viagem entre usuários de veículos individuais e coletivos: 1h29 para os motoristas, 6 minutos a menos do que em 2019, e 1h56 para quem utiliza ônibus, trens e metrô, aumento de 2 minutos em comparação ao mesmo período.
O levantamento também apontou que 69% das pessoas que possuem carros deixariam de utilizá-los caso houvesse um transporte público de qualidade.
Para o ex-vereador Police Neto (PSD), esse cenário pode ser revertido com a abertura de faixas exclusivas para ônibus. “Eu sou capaz de dizer que a cidade de São Paulo tem hoje próximo de 300 quilômetros de faixas exclusivas, mas poderia ter mais de mil”, afirma ele. “Nós daríamos prioridade para o sistema que transporta mais gente, com maior qualidade e em menor espaço de tempo”.
Outra opção seria investir em políticas habitacionais no centro de São Paulo, principal destino de trabalhadores que vivem em pontos extremos da cidade. Police explica que além de preencher imóveis vazios na região, evitando as ocupações irregulares, o projeto encurtaria a distância geográfica entre emprego e local de moradia.
Mas até que essas ideias saiam do papel, muitos paulistanos continuarão lidando com meios de transporte lotados e demora no retorno para casa. A junção desses dois elementos, de acordo com o coordenador do programa USP-Cidades Globais, Marcos Buckeridge, impulsionam as chances de contágio em moradores das periferias. “O número de viagens para ir trabalhar e a expansão urbana são fatores que influenciam no aumento no número de mortes por causa da estrutura da cidade”.
Investimentos no sistema
Em resposta à crise do setor, a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB) desembolsou R$ 827,2 milhões, que representa o segundo maior gasto municipal relacionado à pandemia. As informações são de um levantamento efetuado pelo TCM (Tribunal de Contas do Munícipio) entre os meses de março e agosto de 2020.
Sobre os transportes, o órgão de controle de contas destacou que parte do valor foi para compensar as empresas de ônibus pela queda no número de passageiros provocada pela crise sanitária e manter os empregos de motoristas, cobradores e demais funcionários das viações.
Para custear essas despesas, a Prefeitura recebeu R$ 1,9 bilhão em recursos dos governos federal (90,7%) e estadual (6,4%), além de doações da Câmara Municipal (2,2%), do Ministério Público (0,2%), do próprio TCM (0,4%) e de outras origens (0,03%).
O tribunal ainda informou que “houve a suspensão temporária do pagamento da dívida de longo prazo frente à União e dos precatórios judiciais, aliviando o caixa da Prefeitura no valor de R$ 2,1 bilhões no período examinado”.



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