Volta às aulas resgata debate sobre o verdadeiro papel da escola
Atualizado: 26 de mai. de 2021
Para especialista, o ambiente escolar na capital não deve ser associado a um lugar de cuidado, mas sim de ensino

Aulas presenciais na rede pública serão retomadas gradualmente a partir do dia 8 de setembro – Foto: Secretaria Municipal de Educação/Reprodução
Por Raquel Barreto
Autora da proposta inicial que deu origem ao projeto de lei para retomada da economia na capital paulista, a vereadora Janaína Lima (Novo-SP) também é a favor da reabertura das escolas públicas e criticou a Prefeitura por exigir que as empresas criem soluções para o retorno ao trabalho das funcionárias com filhos em idade escolar.
“A reabertura das creches seria muito mais eficiente e acertada do que colocar essas crianças em um lugar sem os critérios necessários para garantir que elas tenham alimentação e o desenvolvimento adequado”, disse Janaína, reforçando que a volta às aulas só deve acontecer por meio de “protocolos sanitários claros e específicos”.
No entanto, para professores e especialistas em educação, a instituição de ensino não deve ser vista como um espaço para abrigar crianças. “A escola não é um lugar de guarda, escola é um lugar de educação”, explica Alexsandro Santos, diretor-presidente da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo e coordenador do curso de pedagogia da Feduc (Faculdade do Educador).
O educador reconhece que muitos pais recorrem às escolas porque não possuem condições de pagar uma cuidadora, porém lembra que cabe aos gestores construírem políticas públicas que atendam às necessidades dessas famílias. “Isso seria uma preocupação muito mais do campo da assistência social, do que do campo da educação. Nós precisaríamos criar políticas de assistência e desenvolvimento social, inclusive para os momentos em que a creche estiver fechada”, conclui.
A Secretaria Municipal de Educação informou que as creches da cidade permanecerão fechadas. A prioridade agora é o retorno dos ciclos finais do ensino infantil, fundamental e médio, pois além de serem capazes de cumprir as medidas de isolamento social, essas turmas terão mais dificuldades para recuperar os estudos quando mudarem de ciclo.



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