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Unidades de Saúde da Brasilândia resistem ao avanço do coronavírus

19 de jul. de 2020
2 min de leitura

Atualizado: 26 de mai. de 2021

Bairro segue como o segundo na cidade com maior número de mortes, ficando atrás apenas de Sapopemba, na Zona Leste


Profissionais de saúde distribuem cestas básicas, máscaras de proteção e álcool em gel para moradores da Brasilândia – Foto: Secretaria Municipal da Saúde/Reprodução


Por Raquel Barreto

Porta de entrada do Sistema Único de Saúde, as equipes de atenção primária da capital paulista se esforçam para desafogar as salas de emergência dos hospitais públicos e reforçar a prevenção do novo coronavírus entre a população. No distrito da Brasilândia, na Zona Norte, uma técnica em enfermagem, que não quis se identificar, conta que a UBS (Unidade Básica de Saúde) Vila Brasilândia está priorizando o atendimento aos casos leves. Aqueles com sintomas mais graves são encaminhados aos hospitais de referência, que estão com dificuldades para receber pacientes.


“Essa semana nossa enfermeira falou um pouco mais firme com o pronto-socorro. Não queriam aceitar um (paciente). Normalmente aceitam”. O hospital a que ela se refere é o Pronto Socorro Municipal 21 de Junho, localizado na Freguesia do Ó, que enfrenta falta de leitos de UTI. Os hospitais da Brasilândia e Vila Penteado, ambos na Zona Norte, também são referência no entorno.


Além da sobrecarga nas UTIs, a frustração de ver a vizinhança indo contra as medidas de distanciamento social levou funcionários e agentes comunitários de saúde da região a fazerem campanhas de conscientização pelo bairro, com distribuição de máscaras e dicas de como lavar as mãos corretamente.


Para o sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Gonzalo Vecina Neto, antes de pedir que a população fique em casa, é preciso providenciar condições de sobrevivência para os mais pobres, incluindo serviços de saneamento básico. “Essa doença exige lavar as mãos com água e sabão, e na periferia o suprimento é instável, não é como na casa da classe média alta”, comenta.


Médico e ex-secretário municipal de Saúde de São Paulo, ele é defensor da criação de uma fila única de acesso a leitos na rede pública e privada para o tratamento de casos graves de Covid-19.

Rede de solidariedade

Ainda na Brasilândia, os agentes comunitários de saúde da UBS Cruz das Almas, no Jardim Mariliza, tiveram que restringir suas atividades. Segundo uma funcionária, as visitas à comunidade são rápidas e os agentes não entram na casa do paciente. O uso de equipamentos de proteção individual é outro requisito cobrado na rotina desses trabalhadores. Ela lembra que no início da pandemia, esse material não estava disponível na unidade, que recebeu 150 máscaras de proteção do tipo escudo facial (face shields) doados pelo Projeto SUS Vivo.

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