Estudo mostra a importância do isolamento social para desacelerar contágio em SP
Atualizado: 26 de mai. de 2021
Principal desafio é ampliar medidas de proteção nas periferias, dizem pesquisadores

Na última sexta-feira (19), o índice de isolamento na cidade foi de 46%, segundo sistema de monitoramento inteligente do governo de São Paulo – Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
Por Raquel Barreto
É nas periferias da capital paulista que estão concentrados os distritos com mais perdas por Covid-19. Até o dia 18 de junho, Sapopemba, na Zona Leste, e Brasilândia, na Zona Norte, registraram, respectivamente, 300 e 277 mortes. Já na Zona Sul, foram contabilizados 267 óbitos no bairro do Grajaú, 240 no Jardim Ângela e 237 no Capão Redondo.
Para o vereador Gilberto Natalini (PV-SP), as condições precárias de saneamento básico são a principal causa para a disseminação do vírus. “A pessoa não tem água para lavar as mãos, e muitas vezes, a água não chega na condição dela fazer sua higiene, o esgoto corre a céu aberto”, comentou.
Com base nisso, um estudo publicado pelo coletivo “Ação Covid-19”, formado por pesquisadores de diversas áreas e universidades, analisou os efeitos da evolução do isolamento social na cidade de São Paulo, a partir dos distritos de Sapopemba, Brasilândia e Jardins, área nobre da Zona Oeste.
De acordo com a pesquisa, em um cenário hipotético onde não houvesse medidas de segurança e o isolamento social tivesse apenas 27% de adesão, cerca de 55% dos moradores do bairro de Sapopemba seriam contaminados ao mesmo tempo pelo vírus, com uma elevada taxa de mortalidade (2%).
Na região da Brasilândia e no Jardins, esse contágio simultâneo seria controlado se a meta de 70%, definida pelo governo do Estado para os meses de abril e maio, fosse finalmente atingida. Com índice abaixo de 10%, a taxa de mortalidade nessas duas regiões atingiria 0,64% e 0,32%, respectivamente. Entretanto, a proporção de infectados permaneceria alta em Sapopemba, com mortalidade de 1,47%.
Para que o distrito do extremo leste pudesse igualar seus níveis ao da Brasilândia, por exemplo, o isolamento social na cidade teria que chegar a 87%. Isso exigiria “medidas muito rigorosas de proteção à população, que não tem as mesmas condições de fazer um isolamento voluntário como que aconteceu nos Jardins” disse o economista José Paulo Guedes Pinto, professor da UFABC e integrante do coletivo, ao portal ABC do ABC.
A pesquisa também revela que se a flexibilização do isolamento levar a capital de volta para 27%, depois de um período de 100 dias com 70%, haverá um aumento nos casos de contaminação e mortes nos bairros que estavam conseguindo controlar o avanço da doença.


Comentários